Compartilhando trajetórias e cultivando sementes da transformação social

Troca de experiências entre participantes do Curso de Formação de Agentes de Desenvolvimento Local aponta para a necessidade de fortalecimento da população em situação de rua de Curitiba para superação da situação. A atividade, que se encerrou no último dia 10, trouxe a Economia Solidária como possibilidade a ser inserida nesse processo.

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Por Franciele Petry Schramm

O primeiro encontro do Curso de Formação de Agentes de Desenvolvimento Local, realizado em outubro, indicou aquilo que marcaria as outras nove etapas que completaram a atividade que se encerrou no último dia 10 de dezembro. Ao compartilharem suas trajetórias de vidas, os participantes perceberam que, apesar de diferentes histórias, uma coisa os unia: a vontade de superar a violação de direitos que sofre a população em situação de rua de Curitiba.

ADL (3)Mais do que seus percursos, as pessoas puderam trocar ideias e experiências ao longo dos dez encontros. Educação popular freireana, o trabalho e o trabalhador no capitalismo, economia popular solidária, gênero e raça, políticas públicas foram algum dos temas disparadores de debate durante o período. Utilizando a metodologia freireana, os encontros foram pensados de forma a provocar a discussão e a troca entre os participantes, para temas que refletem um pouco as causas e consequências de nossa atual realidade. Como proposta, o fortalecimento da organização e da rede de apoio da população em situação de rua de Curitiba.

“A gente só pode transformar qualquer coisa quando nos unimos: lutar juntos é mais divertido e saboroso”, indicou Vanda de Assis, integrante da coordenação do Cefuria.

Cerca de 50 pessoas acompanharam as atividades – entre elas pessoas que estão nessa situação, servidores públicos municipais, funcionários de instituições que prestam serviços a essa população, apoiadores e integrantes do Movimento Nacional da População de Rua de Curitiba (MNPR).

ADL (6)“O aprendizado foi muito além daquilo que estávamos prevendo. A vida das pessoas ensinou muito para gente”, avaliou o educador popular do Cefuria, Luis Pequeno. Outra participante do Curso, assistente social do município de Curitiba, concorda com o apontamento. “Saio daqui mais fortalecida, porque conheci outras pessoas que lutam pela defesa da população em situação de rua”.

As pessoas que vivem a realidade de violações, também avaliaram como positiva a atividade. “Sempre tive vergonha de falar em público, mas aprendi muito com vocês, e me senti a vontade para falar aquilo que penso”, revelou um dos participantes. Um integrante do MNPR: “O grito da rua está ecoando. A população em situação de rua não quer saber só de pão e dormir – quer ter um novo começo. Espero que a gente gere muitos frutos”, conta.

ADL (5)A continuidade das atividades no próximo ano – para o mesmo grupo e para outras pessoas que devem se somar ao debate – também foi sugerida. As pessoas avaliaram que será interessante levar proposta semelhante a outros espaços, para que mais pessoas possam ter acesso a essas discussões, de forma a fortalecer mais a organização da população em situação de rua.

“Se nós, usuários e técnicos [do serviço social de Curitiba] não começarmos a andar juntos, o serviço não vai ser completo. A gente tem condição de mudar nossa história”, apontou um dos integrantes do MNPR.

O curso fez parte das atividades que estão sendo desenvolvidas dentro do Projeto Coopera Rua, desenvolvido pelo Cefuria através de convênio firmado com a Secretaria Nacional de Economia Solidária pelo Ministério do Trabalho e Previdência Social.

Confira o relato de cada etapa:

>> 1ª Etapa: Trajetórias de Vida: reconhecendo diferenças e entrelaçando semelhanças
>> 2ª Etapa: Educação popular: trocando saberes, construindo sabedoria
>> 3ª Etapa: Modos de produção e trabalho: o ser humano enquanto sujeito
>> 4ª Etapa: O trabalhador no capitalismo: entre circuitos de exploração e subordinação
>> 5ª e 6ª Etapa: Economia Popular Solidária e a construção de um mundo novo
>> 7ª Etapa: Organização popular: conquista e luta por direitos
>> 8ª Etapa: Raça e Gênero: o preconceito enquanto construção social
>> 9ª Etapa: Políticas públicas para a população em situação de rua: limites e possibilidades

 

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