Economia Solidária: uma economia a serviço da vida

Foto: arquivo CEFURIA

Texto de Gisele Carneiro

A atual pandemia é uma tragédia inesperada que se abateu no mundo globalizado. Tem a marca do medo e da morte. Também revela solidariedade que brota de onde menos se espera.

A crise atual traz revelações importantes, põe às claras o que estava escondido ou era muito difícil de se explicar. Por exemplo: o desespero dos ricos chamando os pobres para voltarem ao trabalho por si só explica que é o trabalho humano que faz a economia girar. O trabalho humano é o gerador de riqueza, e não o dono da fábrica, ou o dono do dinheiro, ou o dono da terra.

Quando dizem que é preciso escolher quem vai viver e quem vai morrer, e que é preciso sacrificar vidas para salvar a economia, isso por si só já explica o que nós, do CEFURIA, levávamos meses para demonstrar: que a economia vigente produz destruição e morte, e a proposta é que haja uma economia da VIDA. Eis o sentido da Economia Solidária.

Desde o ano de 2004, o CEFURIA promove o curso “História Social do Trabalho”, a chamada Escolinha de economia solidária. Ali, afirmávamos que a economia precisa estar a serviço da vida. Mas como assim?? Questionavam as pessoas participantes: economia e solidariedade não combinam!

E devagarinho, na sequência das cinco etapas do curso, íamos erguendo os fundamentos e as estruturas da construção chamada “economia solidária”. O conhecimento é como uma casa, e fazíamos essa analogia! A casa precisa ser construída com alicerces fortes, que não ficam tão visíveis. Depois é que se constrói as paredes, as portas, as janelas e finalmente o telhado e os acabamentos.

Na construção do conhecimento, descobríamos que o trabalho é mais importante do que o capital, porque é o trabalho humano e não o dono da fábrica que produz riqueza. Vimos que tudo o que existe é resultado de séculos de trabalho acumulado e precisa ser repartido.

Descobríamos que a economia capitalista é uma economia de morte, porque oprime a natureza, oprime o ser humano, deixa sofrer e deixa morrer pessoas porque não assegura condições dignas de vida, enquanto há riqueza concentrada nas mãos de poucos.

Na última etapa da escolinha, era construída a pirâmide capitalista e ali localizávamos onde estavam aqueles que o assessor dizia serem os “matáveis” no sistema, ou seja: aquelas pessoas escolhidas para deixar morrer. Havia quem pensasse ser exagero dizer assim. Hoje vemos que não é exagero, não. Na atual crise gerada pela pandemia, “matáveis” são os que o sistema capitalista considera “sobrantes”: pessoas pobres, que vão morrer sem assistência, em especial as idosas. Isso é dito claramente!

Economia solidária deixa de ser algo distante e se revela hoje essencial e urgente. Economia a serviço da vida, sim! Não é simplesmente uma alternativa a quem está desempregado. É um paradigma de vida. Significa cuidado, inclusão, optar sempre pela vida, repartir riqueza, valorizar o trabalho, valorizar as pessoas porque todas são importantes e necessárias.

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