Seja no mercado formal ou alternativo, mulheres lutam por igualdade e autonomia

Foto: Giorgia Prates

Por Lia Bianchini

Publicado originalmente no Brasil de Fato Paraná

O Dia Internacional da Mulher foi oficializado apenas em 1975. Porém, desde o século 19, mulheres saíam às ruas por melhores condições de trabalho. E, mais de um século depois, a questão trabalhista ainda é fundamental.

No Brasil, elas são maioria: 51,7% da população, segundo dados oficiais. Apesar disso, de acordo com o IBGE, as mulheres são minoria nos cargos de chefia (39,1%). E, conforme estudo da Oxfam Brasil, em todas as classes sociais, homens têm melhor remuneração.

Para Juliana Mittelbach, da Rede de Mulheres Negras, no mercado formal ainda existe um “caminho grande para trilhar” até a igualdade. “As primeiras a perderem direitos são as mulheres. A gente faz um esforço junto à sociedade como um todo para fazer essa conversa, para a conscientização”, diz.


Juliana Mittelbach é integrante da Rede de Mulheres Negras / Giorgia Prates

Juliana explica que as desigualdades no trabalho são reflexos de uma sociedade baseada na divisão sexual do trabalho, em que mulheres ficam encarregadas de funções relacionadas ao cuidado e à casa e, por isso, são descredibilizadas. Outro aspecto é o racismo. “Mulheres negras têm desvalorização ainda maior. Estão geralmente no subemprego, no mercado informal, com menos valorização e muitas vezes com carga de trabalho extenuante”, afirma.

Exemplo disso é Lúcia dos Reis da Silva. Com 32 anos, ela tem experiências de subemprego. Trabalhou em um restaurante, onde foi da caixa à cozinha. Depois, prestou serviços em uma fazenda, sem remuneração, pois era vista pelos patrões como ajudante do marido.

Mãe de dois filhos, cansada das más condições de trabalho, Lúcia mudou-se para o acampamento 1º de Agosto, em Cascavel. “Eu faço de tudo, planto, colho. O que der pra fazer na terra, eu faço”, conta. Agora integrante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Lucia luta pela garantia do chão onde produz. O acampamento em que vive é um dos três da região de Cascavel que estão ameaçados de despejo.


Lúcia dos Reis da Silva é membro do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) / Ednubia Ghisi

O subemprego também fez com que Magali Martins da Rosa conhecesse uma nova forma de trabalho. Ao longo da vida, trabalhou em rádio, escritório, loja de materiais de construção e supermercado. Quando engravidou, passou a se dedicar à família e começou a vender artesanato. Em uma das feiras onde vendia seus produtos, Magali conheceu a economia solidária, uma forma de trabalho baseada na autogestão, cooperação e solidariedade. “Dividimos do café da manhã até nossas preocupações. Economia solidária é a maneira como você acolhe, ajuda e retribui o que recebe”, explica.

Há quatro anos, Magali integra a Feira Permanente de Economia Popular Solidária, no bairro Portão, em Curitiba. Às quartas e sábados, as mulheres da feira chegam de manhã e montam as barracas coletivamente. Caso uma feirante não possa ir, seus produtos são vendidos por outra companheira. “Uma coisa que nós não podemos esquecer: a economia solidária é um ato político”, diz Magali.

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