8 de Março leva mulheres para a rua e para a luta em Curitiba

No Dia Internacional da Mulher, cerca de 500 pessoas saíram em marcha por reconhecimento da mulher e luta por direitos políticos, sociais, econômicos.

Por Ana Luiza Cordeiro e Franciele Petry Schramm

Dia da mulher (8)

Entre a oficina de mandala e a produção de cartazes, mulheres expressaram em arte a luta diária e persistente de ser mulher. Arte que decorou a rua, ocupou varais e a calçada. A marcha de 8 de Março em Curitiba teve concentração em frente à Copel, onde as pautas de violência, mulher negra, previdência, tarifa da energia, e o propósito da data começaram a ser abordados.

Cerca de 500 mulheres, iniciaram às 16h15 a marcha em direção à Boca maldita, na Praça Osório. No caminho, pedestres recebiam informativos sobre a marcha, sobre direitos da mulher e como denunciar agressões. “É importante que essa região de Curitiba [o Centro] veja nossa força e união, dizendo não à violência, não ao aumento das tarifas, e não à alteração da previdência”, ressalta uma das organizadoras da mobilização.

Mulheres manifestando a indignação com a violência, com a desigualdade, com o Dia da mulher (2)machismo. Vítimas de agressões e mortes apenas por serem mulheres. E mesmo quando as faixas e as faces pedem por respeito, o machismo invade o espaço ao tacarem, do alto de um prédio, um ovo. A rua, tomada pela fala das mulheres, é palco para ataque contra a validação do ser mulher. Nada mais explícito para simbolizar a anulação da figura feminina na sociedade, de seus direitos negados e oprimidos, da violência diária e persistente.

A chuva forte não baixou a voz das mulheres, nem as fez baixar os cartazes, a resistência de um contexto social violento e opressor ensina a falar mais alto.

Mas “A sua dor é a minha dor”. Esse foi o grito entoado em frente a Praça para lembrar queDia da mulher (12) mulheres morrem, são agredidas física, verbal, psicológica e socialmente, são
desvalorizadas, exploradas, estupradas, objetificadas, têm seus direitos, sua cultura, sua identidade negados. E essas diversas formas de violência são conhecidas e vivenciadas pelas mulheres presentes ou não. Em níveis diferentes, em esferas e contextos cotidianos diversos, cada negação do ser mulher é fruto de uma mesma sociedade machista e patriarcal.

Desigualdade que mata

As mulheres não apenas recebem menores salários, acumulam mais jornadas e ocupamFoto_Leandro Taques5menores cargos no mercado de trabalho. Elas pagam essa desigualdade de gênero com a vida. Segundo o Mapa da Violência2015, 13 mulheres foram mortas por dia em 2013 no Brasil, vítimas do feminicídio – agressão que envolve, além da violência doméstica e familiar, a violência pela simples condição de ser mulher. Em pouco mais de 30 anos, mais de 100 mil mulheres foram assassinadas no país. Estima-se que, a cada 15 segundos, uma mulher sofre algum tipo de violência no Brasil. Piraquara, na região metropolitana de Curitiba, já foi considerada a segunda cidade com o maior índice de violência feminina.

A população negra sofre ainda mais essa violência. Enquanto o número de vítimas brancas teve queda de quase 10% na última década, a quantidade de homicídios de negras aumentou mais de 54%.

“As mulheres estão morrendo”, denuncia a integrante da Rede de Mulheres Negras do Paraná, Marici Seles. “É preciso visibilizar a luta e a nossa cultura para combater o racismo e o machismo em nossa sociedade”.

Integrante do Movimento Nacional da População em Situação de Rua (MNPR), Valdenice Fanini aponta também a vulnerabilidade das mulheres que não possuem um teto. Expostas a inúmeras dificuldades de quem não tem um lugar para dormir e comer, elas sofrem ainda a violência em suas diversas formas – física, psicológica e sexual -, que parte de companheiros ou de outros agressores. Por todas essas violações, são mais vulneráveis a sofrerem problemas de saúde mental. Para dar visibilidade a essa realidade e garantira superação, está a necessidade de união. “Por isso a gente está aqui hoje, para lutar pelos nossos direitos”, explica a representante do MNPR.

Protagonismo na Economia Solidária
O 8 de Março e a Economia Solidária traçam e constituem espaços de conquistas da mulher, que luta pela emancipação econômica, igualdade salarial, condições justas e dignas de trabalho.

Dia da mulher (14)Mas não somente atrelada à geração de renda e ao lucro, mas também como reconhecimento da figura feminina e do papel da mulher na sociedade, proporcionando outro modelo de vida onde “a pessoa seja centro, não o lucro e o poder econômico, que vai degradando as pessoas e a natureza como um todo”, aponta Salete Bagolin Bez.

A Economia Solidária atua como ferramenta de valorização da pessoa, e é constituída majoritariamente por mulheres que desempenham e desenvolvem habilidades de organização, coordenação, autogestão, produção, atividades que em outras esferas da sociedade tendem a serem designadas aos homens. Exemplo disso é a participação das mulheres nas 30 padarias comunitárias acompanhadas pelo Cefuria em Curitiba e outros nove municípios das região. Das 96 pessoas que trabalham nos grupos, elas são 83 – 86,49%.
>> Saiba mais sobre as mulheres da Economia Solidária e a luta por direitos 

O dia 8 de Março

O dia 8 de Março é bastante disseminado como tendo origem na greve realizada por operárias da fábrica da Triangle Shirtwaist, em Nova York, que resultou num incêndio criminoso, e matou 129 mulheres. Direito ao voto, a condições dignas de trabalho, à equidade salarial, a diminuição da jornada de trabalho são algumas das pautas que compõem o contexto histórico-social de luta feminina. Mulheres lutaram – e ainda lutam – pelo reconhecimento de seus direitos políticos, sociais e econômicos.

Dia da mulher (13)

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