ENTREVISTA | Pela sobrevivência da agricultura familiar

Soberania Alimentar  (2)

Confira a entrevista do educador do Cefuria Antonio Bez ao jornal do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Curitiba – SISMUC, sobre a perseguição política e policial a agricultores e entidades ligadas ao Programa de Aquisição de Alimentos (PAA).

ENTREVISTA. Antonio Bez, do Cefuria e Programa de Aquisição de Alimentos (PAA)

Por Pedro Carrano
No dia 21 de novembro de 2013, perto de 2 mil pessoas tomaram o centro de Curitiba. Integrantes de movimentos sociais do campo e da cidade e cooperativas da agricultura familiar cobraram o fim da perseguição política e policial a agricultores e entidades ligadas ao Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). O PAA é um programa federal que garante a distribuição de alimentos semanal em áreas de ocupação e vilas carentes, abrindo mercado de fornecimento para os pequenos produtores no campo. Antonio Bez, Integrante da direção do Cefuria, entidade que organiza a distribuição em mais de 30 áreas organizadas em Curitiba, comenta a importância do programa e a resistência contra a criminalização.
Jornal do Sismuc. Mais de 2 mil agricultores reuniram-se pela soberania alimentar em Curitiba. Que tipos de ataque o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) sofreu?
Antonio Bez.
Várias pessoas foram presas acusadas de irregularidades no programa, nós não sabemos quais foram os problemas que aconteceram. O fato é que alguns projetos estão paralisados e a grande maioria dos agricultores não está recebendo pelos produtos que já entregaram. E ao mesmo tempo as entidades não estão recebendo os alimentos que deveriam. Para entender melhor o que está acontecendo e ao mesmo tempo procurar nos organizar como campo e cidade, aconteceram várias reuniões, encontros e debates e o maior foi no dia 21 de novembro, com mais de 2 mil pessoas de setores do campo e da cidade. Com isso, soma-se força, organização e enfrenta-se de forma organizada os ataques que por hora não está claro de onde vem. Mas estão vindo, isto é certo.
Hoje, quantas comunidades e áreas de ocupação são beneficiadas pela entrega do PAA? E qual o diferencial da entrega feito pelos movimentos sociais?
Hoje deve haver mais de 300 entidades que recebem estes produtos em Curitiba. O que diferencia é que os movimentos sociais, além da entrega de alimentos, também propõe a organização, o trabalho de conscientização e o debate sobre o direito à alimentação saudável, gerando a quebra do assistencialismo e a luta coletiva pelo direito à vida.
O programa é uma ferramenta importante para a relação entre os movimentos sociais do campo e da cidade?
Sim, é uma grande ferramenta, pois podemos sentar, discutir e planejar junto com os agricultores, agricultoras e os empobrecidos da cidade. Isto cria consciência de classe de direitos e ao mesmo tempo se percebe melhor quem é contra os pobres. A luta fica melhor e mais organizada.
A exemplo do PAA, o fornecimento dos movimentos sociais para o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) também sofre boicote? Como está essa situação em Curitiba?
Parece que ainda não há boicote ao Pnae, mas as luzes de alerta estão acesas.
O que os movimentos sociais do campo e da cidade devem fazer para manter esse programa como uma política de Estado e estrutural?
Devem fazer a luta coletiva. Dentro de cada cooperativa e entidade há as suas especificidades, porém a luta por direitos, soberania alimentar, agroecologia, reforma agrária, economia solidária e agricultura familiar deve acontecer conjuntamente no diálogo. Acredito que estamos dando passos nesse sentido.

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