Cefuria promove Ciranda das Mulheres

Em uma roda-viva de trabalhadoras, encontro incentivou o empoderamento feminino na Rede Fermento na Massa

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A educadora Fernanda Fernandes lê “Maria-sem-vergonha”, poema que evoca a luta diária das mulheres em uma sociedade machista / Annelize Tozetto

No dia 30 de janeiro, uma ensolarada – e, por isso, bem vinda – segunda-feira, o Centro de Formação Urbano Rural Irmã Araújo promoveu a “Ciranda das Mulheres 2017”. O encontro foi especialmente voltado às trabalhadoras que integram a Rede de Padarias e Cozinhas Comunitárias Fermento na Massa, presente em Curitiba e em outros nove municípios paranaenses. Um encontro de vidas e histórias, cujo foco foi o empoderamento dessas mulheres. As atividades tiveram como intuito provocar uma reflexão crítica e, ao mesmo tempo, sensível em cada uma das participantes.

Em dinâmicas que se estenderam pelos períodos da manhã e da tarde, as assessoras buscaram ativar o protagonismo das mulheres, por meio da discussão de temáticas como feminismo, questões de gênero, trabalho, direitos, violência, entre outras.

A manhã se iniciou com a apresentação de todas as participantes, dentre associadas das padarias, mulheres dos clubes de trocas, convidadas, apoiadoras da rede, assessoras e educadoras do Cefuria. No momento seguinte, a educadora popular Fernanda Fernandes leu o poema “Maria-sem-vergonha”, como um estímulo à busca pela superação pessoal.

Ainda durante a mística, a cantora Larissa Mh entoou músicas de ícones femininos da América Latina; mulheres da arte e da luta por uma sociedade mais igualitária em nossos países vizinhos. Durante seu número, a artista apresentou “Romaria”, sucesso que ganhou corpo na voz da brasileira Elis Regina. Junto a Larissa, as trabalhadoras fizeram desse um dos momentos mais marcantes do encontro, em um coro de uma só voz.

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A canção “Romaria”, na interpretação de Larissa Mh, foi um dos momentos mais sensíveis da Ciranda / Annelize Tozetto

Em seguida, a educadora popular Anna Carolina Azevedo mediou uma roda de leitura com a crônica “Dona Maria tem olhos brilhantes”, da gaúcha Eliane Brum. A partir da história de uma Maria em busca de seu sonho, as mulheres identificaram-se a si mesmas, refletindo sobre desejos, fracassos e vitórias. Ainda pela manhã, a assessora técnica  Adriana Hamann animou roda de conversa sobre Gênero e Direitos Humanos, com a exposição de conceitos – macho, fêmea, patriarcado, misoginia, por exemplo –, exibição de vídeos e discussão de tópicos em grupos menores. Ao fim dessa dinâmica, as participantes expuseram suas confissões em um cartaz construído coletivamente.

Uma pausa para o almoço

Antes da programação prevista para a tarde, as mulheres foram contempladas com um almoço de confraternização. No menu, risoto, polenta, costela e bate-papo. Abraços. Sorrisos de trabalhadoras que lutam juntas, ainda que em empreendimentos solidários diferentes. A organização ficou por conta da agente de desenvolvimento local e associada da Padaria Amizade Simone Latczuk.

Outras vozes, outras conversas  – afinal o que é empoderamento?

Após o almoço, foi a vez de discutir a respeito de Educação Popular Freireana, com Dayana Rosa, e mais uma vez reforçar o debate sobre Gênero e Direitos Humanos, com Fabiane Bogdanovicz. As assessoras, em rodas de conversa distintas, buscaram esclarecer dúvidas sobre o empoderamento feminino e o movimento feminista. “Uma pessoa empoderada é protagonista de sua própria história, que planeja, realiza e alcança. Empoderar-se é tomar uma postura de mudança de atitude, que impulsione alguém a atingir suas metas e objetivos”. Também nessas dinâmicas, houve a formação de pequenos grupos, a fim de intensificar as reflexões e considerar todas as vozes do coletivo.

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Em grupos menores, as mulheres puderam refletir sobre a pauta “empoderamento” / Anna Carolina Azevedo

Empoderadas. Sensibilizadas. Informadas. Transformadas. Ao final de um dia intenso, de emoções e reflexões, entre poemas e afeto, a Ciranda das Mulheres terminou com um lanche congregador. Terminou com a certeza da necessidade de sua realização. Com a certeza de que é preciso sim reforçar o debate das questões de gênero entre as trabalhadoras.  Segunda-feira foi, enfim, um desses dias especiais. Desses que passam, marcam. A Ciranda foi sobre isso. A Ciranda é para isso.

 

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